Na minha pele sinto o rasgar dos dias,
páginas que me emanam através dos poros
escritas na hemorragia da vida que finda
a cada momento,
a cada olhar,
a cada toque...
Inalo os aromas perdidos no futuro,
expiro a poeira do passado hoje e agora
cantando silencios no embalar das marés,
sinto as águas,
sinto as ondas,
sinto o frio...
Cubro-me com a suave ondulação,
inebria-me a maresia que me possui lentamente
na areia em que rasgo o livro que teimo em escrever,
és palavra,
és letra,
és tinta...
Beijo o teu ser na doce celebração dos sonhos que me rasgam ofegantes.
Escuto a tua respiração no silêncio nocturno que me toma prisioneiro contando
os dias,
as horas,
os momentos...
Rasga-se a noite sem piedade religiosa por entre o despertar de algo que me assusta,
Venço saindo derrotado abraçando o calor que me toca e desnuda sem que todavia se note.
Inspiro o ar que te afaga o cabelo,
lenta e relutantemente desperto do sonho que se chama vida!
No comments:
Post a Comment